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1069: Duas sondas japonesas pousaram num asteróide e fizeram História

Akademy / Flickr
Asteróide Ryugu numa imagem capturada pela nave espacial japonesa Hayabusa2

Pela primeira vez na história, o Homem conseguiu aterrar dois rovers não tripulados num asteróide. A proeza histórica aconteceu este sábado e deveu-se aos japoneses.

“Fiquei impressionado com o que conquistamos no Japão. Este é apenas um dos charmes da exploração profunda do espaço”, contou à CNN Takashi Kubota, porta-voz da agência espacial japonesa JAXA.

Conhecidos por MINERVA-II1, os dois rovers saíram de uma nave espacial de origem japonesa, Hayabusa2, e aterram num asteróide com um quilómetro de largura. O asteróide é conhecido por Ryugu.

Ainda este ano, o Hayabusa2, lançada no final de 2014 para conseguir amostras deste asteróide, conseguiu a primeira fotografia close-up do asteróide.

Graças à sua baixa gravidade, os MINERVA-II1 conseguiram flutuar pelo asteróide, capturando informações enviadas instantaneamente. Os dados recolhidos pelos rovers incluem fotografias e o registo da temperatura.

Acredita-se que este asteróide seja um dos mais antigos a sobrevoar o espaço e, por isso, abundante em material orgânico que lançará novas evidências sobre a criação do planeta Terra.

Para Outubro deste ano, a agência espacial JAXA tem planeado o lançamento de um terceiro rover, MASCOT, e está previsto que a própria nave espacial aterre no asteróide para, através de explosivos, criar uma cratera alcançando amostras que ainda não foram expostas.

Em Dezembro de 2019, o Hayabusa2 deixará o asteróide, chegando à Terra no final de 2020. A NASA tem trabalhado numa missão similar prevista para 2023.

Por ZAP
24 Setembro, 2018

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1068: Lagoa cor-de-rosa em Espanha alimenta esperança de vida em Marte

Europlanet / F Gómez / R Thombre
A lagoa tem uma tonalidade cor-de-rosa devido às células vermelhas das algas Dunaliella salina

Uma equipa de biólogos descobriu um micro-organismo incomum numa lagoa cor-de-rosa na Espanha, capaz de sobreviver em Marte. Este microrganismo pode ser o primeiro colonizador do Planeta Vermelho.

Os resultados da pesquisa foram apresentados nesta quinta-feira no Congresso Europeu de Ciências Planetárias, realizado em Berlim, na Alemanha.

A bióloga Rebecca Thombre, do Colégio Moderno de Artes, Ciências e Comércio da cidade indiana de Puna, e o doutor em ciências biológicas Felipe Gomes, do Centro de Astrobiologia de Madrid, em Espanha, recolheram amostras da laguna de Pena Hueca e constataram que a tonalidade cor-de-rosa da lagoa se deve às células vermelhas das algas Dunaliella salina EP-1 – organismos até agora desconhecidos da Ciência.

Segundo Thombre, estas algas são seres extremófilos – organismos que sobrevivem em condições extremas – e são, até ao momento, as mais tolerantes já encontradas.

Os cientistas sublinham que, na maioria dos casos, os microrganismos não toleram “ambientes hipersalinos“, já que nestas condições a água necessária para que as suas células funcionem “tende a sair” através da membrana celular.

No entanto, a Dunaliella salina EP-1, e tal como o próprio nome indica, consegue sobreviver em condições salinas porque a lagoa Pena Hueca produz moléculas como o glicerol que criam um análogo de alta concentração de sal no interior das suas células, impedindo assim a perda de água.

As amostras vermelhas das algas num cristal de sal

Os biólogos também conseguiram identificar uma bactéria halofílica, a Halomonas gomseomensis PLR-1 numa pedra cor-de-rosa submersa na lagoa, rica em sulfatos.

O estudo deste microrganismo pode fornecer pistas vitais para compreender o papel dos sulfatos no crescimento microbiano e a litopanspermia – teoria segundo a qual os organismos podem ser transferidos através das pedras de um planeta para outro.

“A resistência dos extremófilos na Terra a condições semelhantes às de Marte demonstra o seu potencial para prosperar em solo marciano”, sustentou Gomez, ressaltando que a descoberta “tem implicações para a protecção planetária, assim como para o modo como as algas poderiam ser usadas para ‘terraformar’ Marte“, isto é, criar condições para que o Planeta Vermelho conseguisse acolher vida.

Por SN
24 Setembro, 2018

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1067: Físicos produziram o campo magnético mais forte e controlável de sempre

NASA Goddard / Flickr

Um grupo de cientistas do Instituto de Física do Estado Sólido da Universidade de Tóquio, no Japão, produziu o campo magnético mais forte e controlável já criado em ambientes fechados – é um macro para a Física.

Energia barata, limpa e quase ilimitada parece-nos sempre um sonho muito distante. Há muito que os cientistas acreditam que a fusão nuclear – o tipo de reacção que alimenta estrelas como o Sol – pode ser uma fonte potencial para esta ideia contudo, a reacção tem-se mostrado muito difícil de manter – pelo menos, até agora.

Com a nova descoberta, publicada na semana passada na Review of Scientific Instruments, estamos mais perto do que nunca de fazer esta energia acontecer.

De acordo com a publicação, o campo magnético criado foi mantido por mais tempo do que qualquer outro campo de força semelhante testado até então. Este avanço pode conduzir os cientistas a poderosas ferramentas de investigação, bem como ser aplicada para gerar a tão esperada energia de fusão.

“Uma forma de produzir energia de fusão é confinar plasma – um mar de partículas carregadas – num grande anel chamado tokamak de forma extrair energia”, disse o pesquisador Shojiro Takeyama num comunicado. O campo magnético que um tokamak exigira é “tentadoramente semelhante ao dispositivo que nós conseguimos produzir”.

Para gerar o campo magnético, os investigadores da Universidade de Tóquio construíram um dispositivo altamente sofisticado capaz da compressão electromagnética de fluxo (EMFC) – técnica conhecida para gerar um campo adequado em condições internas.

Recorde: 50 milhões de vezes mais forte que o campo da Terra

Recorrendo ao dispositivo, os cientistas foram capazes de produzir um campo magnético de 1200 Teslas (T) – cerca de 120 000 vezes mais forte do que um simples íman que “colamos” aos nossos frigoríficos.

Ainda em termos de comparação, o campo magnético da Terra tem uns “meros” 50 microtesla (µT) e os super-condutores campos do Grande Colisonador de Hadrões do CERN são de 8 T – ou seja, o campo magnético criado pelo japoneses é cerca de 50 milhões de vezes mais forte do que da Terra

Embora um campo magnético mais forte já tivesse sido criado, agora os físicos conseguiram controlá-lo durante 100 micro-segundos, milhares de vezes superior ao que tinha sido registados nos procedimentos experimentais anteriorizes.

Os cientistas foram ainda capazes de controlar o campo magnético, evitando que este destruísse equipamentos científicos, tal como já aconteceu em outras experiências, nas quais os investigadores tentaram criar campos magnéticos poderosos.

Tal como Takeyama revelou na nota divulgada, esta experiência significa que o dispositivo criado pode gerar a força quase mínima de um campo magnético e a duração necessária para que se dê uma fusão nuclear estável – desta forma, estamos um passo mais perto da energia limpa e ilimitada com que sonhamos há cerca de um século.

Por ZAP
24 Setembro, 2018

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1066: Aquecimento global no Pleistoceno elevou nível do mar até 13 metros

leungchitak / Flickr

O aquecimento global no final do período do Pleistoceno, com temperaturas similares às previstas para este século, reduziu a camada de gelo da Antárctida oriental e elevou o nível do mar até 13 metros acima do actual.

A conclusão é de um estudo internacional, liderado por cientistas do Instituto de Ciências da Terra do “Imperial College London”, publicado esta quinta-feira na revista Nature.

O gelo polar é uma componente essencial do sistema climatérico e afecta o nível global da água do mar e a circulação e transporte de calor nos oceanos.

Até agora a comunidade científica tinha-se centrado na camada de gelo da Antárctida ocidental, aquela que actualmente está mais vulnerável ao degelo. Ao mesmo tempo também se pensava que a região leste da Antárctida, com uma superfície equivalente a 115 vezes Portugal, e que contém cerca de metade da água doce da Terra, era menos sensível ao aquecimento global.

No entanto, o estudo agora publicado sugere que um aquecimento de dois graus na região, se se mantiver um par de milénios, vai derreter uma importante área da Antárctida oriental, com implicações no nível global da água do mar.

“Estudar o comportamento da camada de gelo no passado geológico permite-nos informar-nos sobre mudanças futuras”, disse Carlota Escutia, investigadora do Instituto Andaluz de Ciências da Terra, da Universidade de Granada, Espanha.

“Ao formarmos uma imagem de como cresceu e diminuiu o manto de gelo em cenários passados podemos entender melhor a resposta que terá a massa de gelo da Antárctida oriental no aquecimento global”, sustentou a cientista.

Para o estudo os cientistas investigaram amostras de sedimentos do fundo oceânico provenientes da bacia sub-glacial de Wilkes. As amostras foram recolhidas nas profundezas do oceano austral durante uma expedição em 2010.

As pegadas químicas deixadas nos sedimentos permitiram revelar os padrões de erosão continental à medida que a camada de gelo avançava e retrocedia.

“Detectamos que as alterações mais extremas se deram durante dois períodos entre glaciações, entre há 125.000 e 400.000 anos, quando o nível global do mar estava entre seis a 13 metros acima do nível actual”, disse Francisco Jiménez, também investigador do Instituto Andaluz de Ciências da Terra.

O Pleistoceno abrange um período que vai entre aproximadamente 1,8 milhões de anos e 11.500 anos atrás.

ZAP // Lusa

Por Lusa
23 Setembro, 2018

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1065: NASA observa movimentos tectónicos recentes em Marte

ESA
Sistema de falhas Cerberus Fossae

A sonda Mars Express da NASA observou fissuras proeminentes em Marte causadas devido à acção de falhas tectónicas que atingiram a superfície do planeta há menos de dez milhões de anos.

As imagens foram capturadas pela Mars Express no dia 2018 de Janeiro e foram agora publicadas pela agência espacial norte-americana. As fotografias foram tiradas perto do sistema de falhas Cerberus Fossae, na região Elysium Planitia, no equador marciano.

Depois de Tharsis Montes, Elysium Planitia é a segunda zona vulcânica mais extensa do Planeta Vermelho. Estas “fossas” estendem-se desde de o noroeste ao sudeste do planeta, em mais de mil quilómetros.

As fissuras observadas pela sonda passam por crateras e colinas de impacto, além de planícies vulcânicas com mais de dez milhões de anos, indicando que se trata de uma formação relativamente recente, nota a Europa Press.

A largura das fissuras encontradas é variável, indo de algumas dezenas de metros a mais de um quilómetro. Os especialistas acreditam que estas se tenham formado pela acção das falhas tectónicas que dividem as camadas superiores de Marte.

De acordo com a ESA, estas falhas geológicas podem estar associadas com injecções de lava no solo, que terão deformado a superfície e poderão ser oriundas do trio de vulcões localizado a noroeste.

ESA

Os “poços” de colapso arredondados observados a norte (à direita na imagem acima) indicam uma fase inicial de subsidência da superfície – movimento de uma superfície para baixo. Noutros lugares da superfície de Marte foram detectadas formações arredondadas que se conectam, dando origem a falhas mais longas.

Os cientistas que exploram e estudam a região especulam que as fracturas podem vir a abrir a crosta do planeta a uma determinada profundidade, o que permitiria a expulsão de água ou lava para a superfície.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2018

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1064: Astrónomos detectam pulsar até agora considerado impossível

NASA
A imagem de um pulsar captada por raio-x

Astrónomos detectaram um pulsar de rádio cujo período de rotação é de 23,5 segundos – um período tão longo que era considerado impossível até agora.

Detectado por um grupo de especialistas liderado por Chia Min Tan, do Centro de Astrofísica Jodrell Bank da Universidade de Manchester, o objecto PSR J0250+5854 encontra-se a 5200 anos-luz da Terra.

Segundo a investigação, publicada a 4 de Setembro na biblioteca online arXiv.org, este pulsar considerado impossível foi descoberto no âmbito do programa LOFAR Tied-Array All-Sky Survey – um programa que estuda pulsares de rádio no hemisfério norte.

Estes pulsares podem ser designados por fontes extraterrestres de radiação com uma periodicidade regular e são detectados na forma de pequenas explosões de emissão de ondas rádio.

Os pulsares de rádio são geralmente descritos como estrelas de neutrões altamente magnetizadas que giram rapidamente com um feixe de radiação que produz a emissão.

O pulsar encontrado tem a rotação mais lenta conhecida até hoje e a sua detecção foi feita em Julho de 2017, usando a rede de radiotelescópios LOwAR (ART), principalmente localizada na Holanda.

Para os astrónomos, encontrar pulsares com rotação superior a 5 segundos era uma missão considerada impossível. Contudo, esta descoberta demonstra que a realidade é muito diferente.

Com uma rotação de 23,5 segundos, a descoberta do PSR J0250+5854 expande significativamente a gama conhecida dos períodos da rotação de pulsares.

A equipa internacional de astrónomos também descobriu que este pulsar tem um campo magnético superficial de 26 triliões de gauss (densidade do fluxo magnético) e 13,7 milhões de anos.

Com os dados recolhidos, os investigadores também conseguiram indicar que o pulsar incomum tem uma configuração bipolar do campo magnético.

Por ZAP
23 Setembro, 2018

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1063: Missão a Marte poderá ser fatal para os astronautas

x-ray_delta_one / Flickr

Os astronautas de uma futura viagem a Marte estarão expostos, na ida e volta ao planeta vermelho, a cerca de 60% do total de radiação recomendada para toda a sua carreira profissional, revelou um novo estudo.

A Agência Espacial Europeia (ESA) chegou a esta conclusão, que apresentou no Congresso Europeu de Ciências Planetárias que está a decorrer esta semana em Berlim, após analisar dados recolhidos por satélites da missão ExoMars, um projecto em que também participa a agência espacial russa Roscosmos. A pesquisa foi publicada esta quinta-feira.

No espaço, sem o forte campo magnético da Terra e sem atmosfera, o incessante bombardeamento de raios cósmicos “tem o potencial de causar sérios danos aos humanos”, indicou a ESA, em comunicado.

Esta exposição, muito maior do que a dos astronautas que trabalham na Estação Espacial Internacional, eleva o risco de cancro, além de deixar sequelas no sistema nervoso central e provocar enfermidades degenerativas.

A radiação cósmica é composta por partículas incrivelmente minúsculas que se movem de forma incrivelmente rápida, quase à velocidade da luz – um tipo de fenómeno que o corpo humano não está preparado para suportar.

Tal como nota o Space.com, esta radiação viaja em todo o espaço mas a atmosfera da Terra protege-nos do pior dos seus impactos. Ou seja, quanto mais nos afastamos da superfície da Terra, mais radiação cósmica o nosso corpo absorverá.

“Um dos factores básicos na planificação e desenho de uma missão tripulada de longa duração a Marte é calcular os riscos derivados da radiação”, explicou Jordanka Semkova, da Academia de Ciências búlgara.

Os riscos estão calculados, mas os valores são preocupantes. A viagem por si só exporá os astronautas a 60% da radiação recomendável e, o objectivo de visitar o Planeta Vermelho deve incluir um período, ainda que curto, na sua superfície – de preferência, sem sobre-dosagem na radiação.

A radiação não é o único o problema que os astronautas poderão vir a enfrentar numa futura viagem. Os desafios multiplicam-se desde de a própria viagem, passando pela nave e chegando às propriedades do próprio planeta.

Recentemente, uma tempestade de areia cobriu Marte por completo, levando à suspensão  da Opportunity, o rover da NASA que está “adormecido” há mais de três meses. O robô está em Marte desde 2004. Inicialmente, foi concebido para durar apenas 3 meses, mas continuou a operar durante quase 15 anos.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Setembro, 2018

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1062: Energy Observer, o primeiro barco com zero emissões passou em Lisboa

Confortável e silencioso, o Energy Observer é a primeira embarcação do mundo auto-suficiente, movida a energias renováveis. A bordo, em movimento mas sem barulho, o comandante diz que o futuro será assim, no mar e em terra.

“No futuro serão assim os barcos, também os automóveis e os apartamentos”, mas também “os bairros inteiros, mesmo os países”, diz Jerôme Delafosse, chefe da expedição e realizador de documentários.

Pele queimada do sol, faz parte de uma equipa de 10 pessoas que trouxe o Energy Observer a Lisboa, o princípio ainda de uma grande aventura que vai durar seis anos, com mais de 10 escalas em 50 países de todo o mundo.

Partiu em Junho do ano passado de Saint-Malo, França, já percorreu mais de nove mil milhas náuticas, e em Portugal vai estar até final do mês. Para mostrar que é possível viajar-se assim, só com energias renováveis, e para sensibilizar para a necessidade de um planeta que use menos combustíveis fósseis e mais combustíveis alternativos.

É Jerôme quem o diz à Lusa, admitindo que a velocidade do catamarã seria superior com outro tipo de combustível, mas chamando a atenção para o silêncio dos motores. “É o primeiro navio que funciona com energias renováveis, solar e eólica e hidrogénio”, diz, salientando depois a ausência de poluição e o silêncio que permite ouvir o mar.

A viagem serve também para testar todo o tipo de tecnologia em situações extremas, para depois a adaptar a outras embarcações, a habitações, a todo o tipo de transportes.

O “futuro da energia”

Jorge Seguro Sanches, secretário de Estado da Energia, acredita que é possível esse futuro. Esteve no catamarã. Esteve na inauguração de uma exposição sobre o Energy Observer e disse que a iniciativa é uma inspiração para Lisboa, para Portugal e para todo mundo. E especialmente para Portugal, o terceiro país da Europa que em 2016 mais incorporou energias renováveis.

“A questão do armazenamento [da energia] e o aproveitamento do hidrogénio vão fazer toda a diferença nos próximos anos”, disse o secretário de Estado na inauguração da exposição.

“O grande desafio que temos pela frente, para um país como o nosso que tem aproveitado bem a energia renovável, na transição energética e na electrificação, é se temos ou não capacidade de a armazenar. Essa capacidade faz toda a diferença, ou através das baterias ou através de modelos como este (o Energy), que tecnologicamente têm um grande potencial e que tem a ver com hidrogénio. Este modelo mostra que é possível”, adiantou.

Jorge Seguro Santos lembrou que ainda esta semana o Governo assinou no Conselho da Energia, na Áustria, uma declaração “no sentido da promoção do hidrogénio na produção na área das energias renováveis”. E Portugal, lembrou, está também a desenvolver um roteiro do hidrogénio.

O entusiasmo de Jorge Seguro Santos não difere do entusiasmo de Jerôme Delafosse. “Um navio agora, transportes públicos amanhã, porque para esses já começou o processo irreversível de cada vez mais se deixarem as energias fósseis”.

Para já está em Lisboa, e depois no Porto, o Energy, e a exposição itinerante de mais de mil metros quadrados junto à Doca da Marinha, com entrada livre.

Ao largo, no Tejo, o catamarã, com um sistema que combina três fontes de energia com o duplo armazenamento de baterias a hidrogénio, produzido a bordo por electrolise da água do mar.

O projecto teve o patrocínio do Presidente francês, o apoio da União Europeia e da UNESCO, além de vários parceiros, e vai andar pelo mundo a falar das energias renováveis, da biodiversidade, da agro-ecologia, da economia circular, dos objectivos de desenvolvimento sustentável da ONU.

Uma iniciativa que “simboliza o futuro da energia”, como resumiu o fundador do projecto e “skipper” Victorien Erussard, queimado do sol como Jerôme, o mesmo entusiasmo por uma aventura de seis anos.

A estabilidade do catamarã irá torná-la mais fácil. E a energia produzida a bordo alimenta todas as máquinas, incluindo a do café. A acreditar nas palavras de Jerôme, longe das cidades, em mar alto, com os motores em pleno, se calhar o som da máquina do café será o mais audível no “Energy”, além do mar.

ZAP // Lusa

Por Lusa
22 Setembro, 2018

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1061: Arqueólogos descobrem múmias antigas e amuletos divinos no Egipto

CIÊNCIA

Egyptian Ministry of Antiquities
A identidade da múmia continua ainda por desvendar

Um grupo de arqueólogos descobriu várias múmias antigas no Egipto – incluindo os restos de um misterioso individuo extremamente bem conservado – num enterro comum na margem oeste do Rio Nilo.

O túmulo foi encontrado em Aswan, no sul do Egipto, e terá cerca de 2500 anos de idade. De acordo com o director do Ministério das Antiguidades do Egito, o sepulcro terá sido utilizado num funeral comunitário.

Entre as múmias encontradas, há uma que desperta especial atenção: a de um indivíduo extremamente bem preservado, envolvido em faixas de linho, que os arqueólogos encontraram num sarcófago de arenito.

De acordo com o Ministério, não há quaisquer inscrições no túmulo, estando a identidade da múmia ainda por revelar. Vão ser conduzidas mais pesquisas para tentar descobrir quem é o indivíduo.

Foram ainda descobertas outros três túmulos perto da mesma região. Os cientistas encontraram fragmentos de pinturas, textos escritos com hieróglifos e pedaços de outros sarcófagos de argila. Os especialistas vão agora tentar decifrar os textos.

Todos os túmulos contêm pedaços de amuletos feitos de fiança – uma cerâmica vidrada utilizada em algumas loiças. As imagens divulgadas pelo Ministério mostram que alguns dos amuletos têm a forma de deuses egípcios, como Anubis, o deus egípcio dos mortos.

Egyptian Ministry of Antiquities
Amuletos encontrados em todos os túmulos

Os cientistas acreditam que as descobertas datam do período a que chamam de “Época Baixa do Antigo Egipto”, que durou de 712 a.C até 332 a.C.

Durante este período, o Egipto esteve sob o controlo de várias potências estrangeiras, como o Reino de Cuxe (antigo reino localizado a sul do país), Assíria e Persa – este período terminou quando Alexandre, o Grande, conquistou o Egipto em 332 a.C.

Não é ainda claro para os cientistas se o indivíduo encontrado no enterro comum pertencia a algum destes grupos estrangeiros, mas os especialistas continuam as investigações para resolver este mistério o quanto antes.

Este têm sido um bom mês para a Arqueologia no Egipto. Ainda esta semana, o Ministério dava conta de ter descoberto uma nova esfinge, também em boas condições de preservação, com cerca de 2 mil anos.

Por ZAP
22 Setembro, 2018

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1060: Arqueólogos fazem “descoberta do Século” no Tejo (e tem pimenta)

CIÊNCIA

Augusto Salgado / Lusa
A nau terá naufragado entre 1575 e 1625 e é considerada a “descoberta do século”

Uma equipa de arqueólogos da Câmara Municipal de Cascais, do Projecto Municipal da Carta Arqueológica Subaquática do Litoral, descobriu uma nau que terá naufragado entre 1575 e 1625, e que é considerada a “descoberta do século”.

A descoberta, feita num mergulho junto ao ilhéu do Bugio, no rio Tejo, no passado dia 03 de Setembro, resultou do Projecto da Carta Arqueológica Subaquática de Cascais (ProCASC), aprovado pelo município em 2005, e que tem por objectivo recolher todo o tipo de informação histórica, numa campanha de investigação subaquática.

O director científico do ProCASC, Jorge Freire, explicou que os vestígios da nau foram encontrados a uma profundidade média de 12 metros, junto ao Bugio, e abrangem uma área aproximada de 100 metros de comprimento por 50 metros de largura.

“Vê-se o escudo de Portugal, a esfera armilar, portanto, por aí, estamos seguramente a falar de um achado de desígnio nacional muito semelhante àquilo que foi a Nossa Senhora dos Mártires – nau portuguesa também do Caminho das Índias, descoberta em 1994 -, utilizada como motivo da Expo98, só com uma diferença, porque esta está em melhor estado de conservação, daquilo que nos é possível ver à superfície. A área também é muito maior do que foi exumado na Nossa Senhora dos Mártires”, afirmou o director e mergulhador do projecto.

Alguns dos artefactos, que estavam em perigo de ser perdidos, foram recolhidos e colocados em água nas reservas municipais, informou a autarquia. Entre eles é possível encontrar faiança, pimenta da Índia e uma tampa em bronze. Segundo Jorge Freire, esta descoberta é “diferente das outras”, uma vez que foi feita em “ambiente científico”.

“A maior parte das descobertas no país foram feitas por achado fortuito, a maior parte das descobertas em Cascais, e esta em particular, foram feitas em ambiente científico. O que estamos a fazer neste momento é mapear todos os achados que estão à superfície, para termos um diagnóstico daquilo que está visível, para ver qual a evolução do sítio em termos de sedimentação, e perceber a própria dinâmica do sítio”, esclareceu.

De acordo com o Expresso, foram identificados nove canhões em bronze marcados com o escudo nacional ou com a esfera armilar, fragmentos de pratos de porcelana chinesa da época Wanli (1573-1619), grãos de pimenta, cauris (moluscos usados como moedas) do tráfego de escravos e partes do casco.

Augusto Salgado / Lusa

A “descoberta do século”

Para o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras (PSD), em declarações à agência Lusa, esta é “uma das descobertas arqueológicas mais significativas da última década”.

“O reconhecimento feito pela própria comunidade científica de que se trata da descoberta da década, do século, em termos de arqueologia marítima, é para nós uma grande satisfação. [Assim como] a possibilidade de a termos feito também em conjunto, num programa que não envolve só a Marinha Portuguesa como a Direcção-Geral do Património Cultural, a Câmara Municipal de Cascais e os técnicos da Câmara Municipal de Cascais, assim como a Universidade Nova de Lisboa”, afirmou Carlos Carreiras.

Segundo o director do ProCASC “brevemente” a nau irá transformar-se num campo-escola, para a formação académica de alunos das universidades.

“Temos uma ausência de campos para formar arqueólogos e a nau vai ser transformada, nesse sentido, porque está lá a nau e um conjunto de navios de outras cronologias muito perto deste sítio, que também necessitam de ser intervencionados, e vamos juntar-nos num planeamento. Temos um programa pré-definido para isto, que terá subjacente este campus universitário. Em breve estará em funcionamento”, acrescentou.

De acordo com Jorge Freire, o campo-escola será criado através da Cátedra UNESCO “O Património Cultural dos Oceanos”, tutelada pelo Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Marinha Portuguesa e a Direcção-Geral do Património Cultural.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Setembro, 2018

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